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quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Diário de um Professor Público

A partir de hoje vou tentar escrever meu diário profissional com impressões pessoais. Escreverei a respeito do local onde trabalho, uma escola pública aqui em Porto Alegre. Pelo menos por enquanto omitirei o nome da escola e trocarei os nomes das pessoas, por motivos óbvios.
A escola em que trabalho é pequena, mas em compensação, o pessoal que trabalha lá se vira como pode para fazer um bom trabalho. Eu como professor de Ed. Física (o único da escola) também faço o que posso. Marquei com uma enxada uma quadra de vôlei, enterramos um poste de madeira que apareceu boiando no rio e, inicialmente, amarramos um fio, mais tarde conseguimos uma rede. A gurizada joga vôlei e joga direitinho. Com o esforço deles entrei nos Jogos Estudantis do Estado (JERGS), em 2001, com uma equipe mista, categoria mirim: fomos campeões! Muito legal!! De lá pra cá, com excessão de 2004 em que não entramos, e este ano em que não ganhamos nada, todos os anos conseguimos um título. Em 2005 conseguimos algo inédito para a nossa escola: título de Porto Alegre, título da região e quinto lugar no estado. A partir daí alimento o sonho que, tenho certeza que se tornará realidade em breve, criar uma escolinha de vôlei. Não penso em vender sonhos do tipo "achar campeões, vagas em seleção brasileira, etc...", imagino dar as pessoas a noção da realidade, coisa que o esporte faz muito bem. Não existe justo ou injusto. Existe treinar, treinar e treinar mais ainda. Ganha mais quem treina mais. Vence na vida quem batalha mais, da forma mais correta é claro.
Hoje a coisa não saiu muito bem escrita mas nas próximas vezes prometo mais inspiração!

sábado, 15 de setembro de 2007

Escola e Presídios

Com já disse algumas vezes, sou professor público, e nós , durante os intervalos, conversamos sobre tudo, e na maioria das vezes sobre educação, e acho que nem poderia ser diferente. E nesta semana que passou alguns colegas disseram que ouviram boatos de que algumas escolas pequenas seriam fechadas para o próximo ano. Questões de dinheiro, falta de professores, funcionários, etc. E de outro lado leio seguidamente reportagens sobre a criação de novos presídios de segurança máxima. Não sei da veracidade dos boatos(existe isso??) mas o fato é que o Brasil parece estar sempre na contramão da história. Enquanto em outros lugares se preocupam em investir na educação, nós fazemos o inverso.
Fechar escolas e abrir mais presídios. Me parece uma conta lógica, mas o inverso era bem melhor de ser feito: (+ escolas = - presídios). Será que falo alguma novidade??

domingo, 2 de setembro de 2007

PALAVRÕES

Estou vendo o Fantástico e ouço uma notícia estarrecedora: uma professora de uma escola municipal, não cheguei a ouvir o nome do Estado, será ou está sendo ameaçada de processo pelos pais dos alunos porque pediu que os mesmos pesquisassem o significado dos palavrões no dicionário!!!!!!
O motivo do meu estarrecimento não é o trabalho da professora e sim a hipocrisia dos pais. Esses alunos, com toda a certeza escutam os famosos funks, conversam com seus amigos e, inclusive, com seus pais e falam palavrões. E o pior: os pais pronunciam, sem nenhum constrangimento, palavrões na presença dos filhos. Qual o motivo da gritaria?
Na escola em que trabalho, os alunos seguidamente trazem cds de casa e ouvem aquelas letras absurdamente pornográficas. Com toda a certeza escutam em suas casas também, mas lá os pais não serão processados. Por que esse “auê” todo?
Este fato só ilustra o que há muito tempo acontece nas escolas de todo o país: a omissão dos pais na educação dos filhos. Refiro-me como educação o comportamento dos alunos não o aprendizado de conteúdos.
O que acontece hoje em dia nas escolas é que o professor além de ter que ensinar o conteúdo das matérias, também tem que ensinar comportamento, respeito, conduta, coisas que deveriam vir de casa. As famílias se omitem de educar seus filhos, não sei se por cansaço ou preguiça. Mas o fato é que a sociedade já há muito tempo mostra sinais de decadência, justamente porque a família, que é o princípio de tudo, não se compromete a fazer a sua parte: educar seus filhos para o convívio social! As crianças não sabem conviver em sociedade nas questões mais elementares, entre ela a educação de conduta. Falar palavrão é compreensível, mas tudo tem seu momento.
A pobre professora estava fazendo um papel que, no meu entender, não lhe cabia: ensinar aos seus alunos que não é educado falar palavrão em público, algo que deveria ter aprendido em casa.

sábado, 1 de setembro de 2007

Dia da Educação Física

Hoje é 1º de Setembro, dia do professor de Educação Física. Resolvi puxar a brasa para o meu assado (e de muitos outros assados). Difícil apontar outra profissão que conheça mais a vida como ela é do que essa. Educação Física é completamente diferenciada. A "sala de aula" é diferente, a disposição dos alunos é diferente, a forma de passar o conteúdo é diferente - sim nós temos conteúdo para passar e não estou falando de jogar bola - no dia das aulas de Ed. Física os alunos levam uniforme diferente, pouquíssimos "matam" as aulas, para ficar apenas nestas diferenças.
Mas estas questões todos já estão carecas de saber, o que eu quero falar é sobre a paixão dos Educadores Físicos pela sua profissão. Sim, pois num país em que um semi-analfabeto qualquer(político) tem uma remuneração maior que nós , só sendo apaixonado para seguir trabalhando.
Participei de uma rodada dos Jogos Estudantis do Rio Grande do Sul (JERGS) etapa de Porto Alegre, em duas escolas, Julio de Castilhos e Protásio Alves. Nas duas, problemas de organização, falta de estrutura para realizar tantos jogos. Nos dois colégios era para ter duas quadras de vôlei para realizar as partidas. Só utilizamos uma. Mas no colégio Protásio Alves a coisa foi mais pitoresca ainda. Os jogos começaram as 9:00 horas aproximadamente, só ao meio dia por iniciativa dos professores das equipes é que se montou a outra quadra. Conseguiram buscar em uma obra perto dali um poste de madeira, colocaram no local, ergueram a rede, amarraram o poste na porta do ginásio para que saísse o restante dos jogos.
Durante toda a função, fui conversando com os professores das outra escolas, e um deles me disse "estou no Estado vinte e oito(28) anos, isso nunca mudou e nunca vai mudar". Pensei comigo - que pessimismo!!- mas conversa vai, conversa vem, este mesmo professor me disse"dou aula em universidade e falo para meus alunos, quando enxergarem um professor numa escola pública sentado na sala dos professores lendo jornal, não vão nas pilhas(sic) de ele é vagabundo etc e tal, provavelmente ele era um cara que quando chegou quis fazer tudo e encontrou gente que só "dava pra trás" aí ele pensou: me matando sozinho, meu salário não vai aumentar, eu vou é ficar quieto no meu canto".
Não vou dizer aqui aquelas palavras de otimismo que as pessoas falam quando estão em outra profissão. Ou mesmo quando não estão trabalhando de fato, apenas estão dando palestras sobre como Paulo Freire é maravilhoso e suas teorias são espetaculares (outro dia dou minha opinião sobre isso!!). Vou escrever apenas uma coisa: PAIXÃO.
Eu estava no ginásio vendo todos aqueles professores reclamando, e com razão, do descaso público e privado - a Globo só lembrou da Ed. Física no ano do Pan - mas todos eles estavam trabalhando por seus alunos. Somente a paixão pela nossa função é que faz isso. O motivo é muito simples: a alegria e satisfação dos nossos alunos. Mas que isso não sirva para que governantes digam" viu como eles são criativos?" e ficarem de braços cruzados.
VIVA A ED. FÍSICA